Onde o seu escritório perde o cliente antes da primeira reunião.
Cláudia GoulartSérie Percurso, 01/10
Passei a minha carreira a projetar os caminhos dentro dos espaços. Onde a pessoa entra, para onde olha primeiro, o que a faz parar, o que a faz seguir. Hoje olho com o mesmo cuidado para o percurso que um cliente faz até chegar ao seu escritório. Muitas vezes ele se perde antes de você saber que ele existiu.
O percurso tem cinco estações. O anúncio, onde ele vê o seu trabalho pela primeira vez. O perfil, onde tenta perceber quem você é. O portfólio, onde procura a casa dele nas suas imagens. A conversa, onde decide se vale a pena falar com você. E a primeira reunião, onde chega, ou não, já convencido.
Em cada estação há uma porta que pode estar fechada. Um anúncio que mostra um projeto bonito mas não diz para quem é. Uma bio que não explica o que você faz nem como falar com você. Um portfólio cheio de plantas e cortes sem uma palavra sobre a vida de quem vai morar ali. Um botão de contato escondido, ou nenhum.
Nenhuma destas portas aparece no relatório do anúncio. O anúncio diz quantas pessoas clicaram; não diz onde a maioria desistiu. É por isso que não começo pelo anúncio. Começo por refazer o trajeto como se fosse o cliente, com o olhar de quem passou vinte e cinco anos a desenhar percursos.
Guarde este percurso e faça o teste no seu próprio escritório: abra o seu anúncio, o seu perfil e o seu portfólio como se fosse a primeira vez. Onde é que você se perdeu?